Quem olha para estes acontecimentos do déficit e da dívida tem uma certa sensação que já leu sobre tal em qulaquer lado. E esse lado são as várias histórias do último quartel do século XIX em Portugal. A dívida ameaçava e os governos empenhados prometiam cortes e cortes e equilíbrios, até Oliveira Martins foi ministro das Finanças e promoveu cortes, mas no fim a situação tísica perdurou e perdurou ( com alguns equilíbrios inconsequentes pelo meio) até Salazar. Ontem, por alguma razão, Vítor Gaspar fez lembrar um daqueles empenhados ministros das finanças do século XIX que depois acabam por ser envolvidos no vórtice da realidade e não conseguem controlar a situação financeira.
Espaço destinado à discussão aberta e livre dos problemas económicos e políticos.
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quinta-feira, 1 de setembro de 2011
quarta-feira, 31 de agosto de 2011
DOE ou não doi?
Lido o DOE- acabado de sair do forno- suscitam-se alguns comentários.
Começa por ser uma bonita aula de economia, bem apresentada, mas esquece logo os estrangulamento microeconómicos, que talvez sejam os mais difíceis de modificar ( excepto aqueles ligados ao mercado de trabalho, em que em todo o caso há uma vacuidade assustadora). Reconhece que há problemas ao nível da receita fiscal e dos estabilizadores automáticos , mas insiste em aumentos de impostos e de receitas.
Depois apresenta uma longa lengalenga de percentagens de cortes e medidas num português redondo que não diz nada. Tudo é possível e o seu contrário. Alguma modificação na gestão do SNS introduzindo mercados internos ou concorrência interna? Nada. Alguma modificação na Educação além de fechar escolas? Nada. Em termos de reforma do Estado é uma pobrza confrangedora.Sobretudo do Estado Social. Parece que tudo se reduz a despedir gente,aumentar preços e impostos.
Para um economista que se diz grande admirador de Milton Friedman, não se vê nada de excitante ou grandes modificações. Mas esta pode ser uma interpretação apressada. Aguardemos mais uns meses...
terça-feira, 23 de agosto de 2011
Troika
A primeira coisa a salientar este Verão foi a "visita" da troika e o amen que esta deu à governação.Este evento tem dois aspectos: um político, outro económico. De um ponto de vista político parece que finalmente se encontrou uma forma de governar em ditadura dentro das formalidades da democracia. A " troika" é o ditador. Há uma tradição longeva em Portugal de ir buscar ditadores /homens fortes para resolver os problemas nacionais. Nos últimos 110 anos tivemos, entre outros homens providenciais: João Franco, Pimenta de Castro, Sidónio Pais, Salazar, para referir só alguns. Agora mal parecia suspender a democracia, mas o resultado foi o mesmo, plebiscitou-se o programa da troika e agora eles mandam.Também não alheia à história nacional a interferência externa para resolver os nossos problemas. O exemplo maior é Beresford-o representante da troika da altura.Portanto, em termos políticos estamos enquadrados.
Em termos económicos temos a famosa receita do FMI. Aumentos de preços e cortes na despesa.É uma receita tradicional e só a história económica comparada poderia dizer se resulta ou não. A subida de preços tem dois efeitos ( e não um como se julga), aumenta a receita e também diminui a procura dos bens cujos preços subiram. Tal deve refrear o consumo e aumentar a poupança. O corte na despesa tem também dois efeitos, diminui os gastos (óbvio), mas ao mesmo tempo deve implicar um novo papel para o Estado abrindo portas para a iniciativa privada.Teoricamente, iriam diminuir as importações, os gastos do Estado e aumentar as receitas desse Estado, assegurando assim novos equilíbrios sustentáveis.
O problema é óbvio.A falta de crescimento. Pode acontecer que esta terapia leve a uma falta de crescimento da economia. Essa falta de crescimento faz actuar os chamados estabilizadores automáticos( mais gastos sociais e menos receitas de imposto) e estes impedem os equilíbrios e de facto nunca mais se chega ao ponto desejado.
Portanto, o que estamos a fazer é uma jogada,que atendendo às características do último decénio da economia portuguesa, pode muito bem falhar rotundamente.
Acresce a nossa integração europeia, que só nos prejudica. Portugal nunca foi um País absolutamente virado para a Europa e não pode ser.
terça-feira, 2 de agosto de 2011
BIC,BPN e Angola.
Não é possível engolir esta putativa venda do BPN a um banco agora intitulado "luso- angolano". De luso parece ter Américo Amorim que, constava, andava de candeias às avessas com os Angolanos ( como acontece sempre com qualquer pareceria com os dirigentes deste infeliz povo). O outro "luso" será Fernando Teles ( já "angolanizado") e que ainda há poucos anos quando era Presidente do BFA exigia em negócios de entidades angolanas com sócios angolanos (ministros) e portugueses o aval destes sócios por não confiar nos ministros angolanos.Depois aparece Mira Amaral que não se percebe o que faz no meio desta história.
A venda normal teria sido por € 1,00 mais passivo. Aqui parece que se paga para mandar o BPN embora. Não soa nada bem e o BIC não tem qualquer credibilidade para assegurar o que quer que seja. Já alguém olhou para as suas contas? Como está a situação em Angola? Era o mínimo.
Quanto à justiça, parece que só funcionou para Oliveira e Costa. Será o bode expiatório desta trapalhada toda.
Angola está a começar a dominar a finança portuguesa toda...Não esquecer a moscambilha em que os Angolanos meteram Álvaro Sobrinho, presidente do BES Angola.Certamente o BES está debaixo de pressão angolana. O Banif também está, com a descoberta ! por parte da antiga mulher de Horácio Roque que o marido se tinha esquecido qe colocar os seus activos financeiros na partilha resultante do divórcio. Note-se que a doutora Fátima Roque esteve muitos anos ligada à UNITA , chegando a estar detida em Luanda e depois foi-se aproximando do MPLA integrando-se nesta. Por isso, debaixo de ataque ou conquistados por Angola ( elite dirigente e não povo) estão: BPN,BCP,BANIF,BES. BPI foi obrigado a ceder 49% da sua galinha de ovos de ouro que era o BFA em Angola. Que se saiba só não está a CGD debaixo da mira.
quinta-feira, 28 de julho de 2011
Declínio e Queda do BCP.
Por razões profissionais e familiares (em pequeníssimo grau) acompanhei sempre o BCP. Tive sempre um certo fascínio pela mística eficiência que Jardim Gonçalves tinha dotado o banco. Também sempre percebi que o seu núcleo era um buraco negro que precisava de alimento e acompanhamento constante. Vi com pena a queda de Jardim levado pelo seu imbecil delfim e o inominável Berardo.Percebi que os dias do Banco estavam contados quando para lá entraram Varas e angolanos.Há uma coisa que as putativas elites portuguesas têm que perceber: de Angola vem revanchismo, oportunismo e muitas vezes pior. Não vem nada de positivo, sobretudo quando estamos na mó de baixo.
O BCP no primeiro semestre teve um resultado negativo. Os números positivos são apenas maquilhagem ( legal, note-se) contabilística. O caminho é o fim desse maravilhoso projecto, como já foi de outros em que angolanos, socialistas e oportunistas se meteram ( Universidade Independente, por exemplo).É uma pena.E ninguém vê?
quarta-feira, 27 de julho de 2011
Uma medida inteligente e coisas mázinhas.
Tardava uma medida inteligente que anunciasse algo de novo, além das preocupações com os equilíbrios macroeconómicos. Essa medida veio do ministério da SS e diz respeito às creches, um mundo oprimido pela "red tape" da SS e flagelado ininterruptamente por burocratas soviéticos. Parece que vai existir alguma desregulamentação nesse sector cheio de manuais de qualidade e regulamentos estapafúrdios. Se é assim é bom e será um farol para todas as outras actividades. É ao nível microeconómico que tem que haver a mudança e a revolução e que começa com o fim do estado soviético que entretanto foi construído por todos.
Mázinha é a novela da CGD com a entrada para o CA de putativos banqueiros e etc ( que todos nós conhecemos ).
Mauzinho são os jornalistas transformados em assessores e etc.
Continuando a não haver um pouquinho de pudor ( não temos que ser moralistas , nem Savonarolas, mas ...) não há legitimidade para pedir os tais "sacrifícios".
A legitimidade do poder não vem só das eleições , vem também do consentimento e vontade de cooperar dos cidadãos ( ou pelo menos de uma boa e clara parte, pois descontentes haverá sempre). Sem consentimento, nem vontade de cooperação não há regime que se aguente com amis ou menos eleições.
segunda-feira, 18 de julho de 2011
Disparates Colossais e Pimpineiras.
Se há algum desvio em relação às contas oficiais apresentadas pelo anterior governo, então essas contas são falsas e o que o Governo tem a fazer é apresentar queixa- crime e ser instaurado o respectivo processo criminal aos responsáveis por falsificar as contas. Se tudo não passa de especulações então o governo deve calar-se e trabalhar. Ou as contas são falsas e há crime ou as contas são verdadeiras e temos mais um artista no poder. Brincar é que já não vale a pena.
Brincadeira é o que o CDS anda a fazer no governo, primeiro aparece a escorreita e simpática ministra da agricultura e de outras coisas a dizer que os homens vão deixar de usar gravata. Na peça jornalística parecia uma president"a" de associação de estudantes a anunciar uma gira traquinice. Uma verdadeira pimpineira; depois vem o outro ministro das lambretas anunciar um subida de 5 euros para as pensões mais baixas...mais valia estar calado. O importante, agora, são todos, não é tirar às classes médias e trabalhadoras e dar uns pózinhos aos pobrezinhos.
Mal começa este governo, será que vai corrigir? Ou vai ser pior que o anterior artista ?
P.S. Ouvir o presidente da república já não vale a pena. Agora dedica-se a desdizer tudo o que disse antes...
sexta-feira, 15 de julho de 2011
A leveza da douta ignorância.
Tirando excepções raras, que aconteceram motivadas por uma baixa acentuada das taxas de juro ( em Inglaterra nos anos 80, por exemplo) e que foram acompanhadas por um big bang liberalizador na economia, as políticas de austeridade levam à recessão. Em Portugal desde a nefanda Manuela Ferreira Leite que embarcamos por essas ditas políticas de austeridade com o resultado conhecido. Recessão, estagnação, desemprego.
Toda a gente percebeu que a solução é reconstruir a economia interna: liberalizar ( concorrência e desregulação),protecção do exterior para renascimento da indústria e agricultura, saída do euro e das confusões europeias (historicamente sempre nos demos mal quando nos quisemos meter na política europeia, Portugal não é um país europeu strictu sensu), etc.
O que vemos fazer este novo governo é a aplicação de uma cartilha gasta e falsa, que não funciona, mais impostos, gerarão mais estado, mais pobreza. Já se percebeu que o jovem PPC é mesmo isso, um jovem sem preparação ( até pode ter boas intenções, mas não sabe, não tem visão). O caminho não é por aí.
terça-feira, 5 de julho de 2011
Momento Strauss Khan.
É possível em Portugal um momento Strauss Khan? Em que o MP reconhece - num caso mediático - que se enganou e volta atrás? Não é. O MP apenas procura a sua "vitória", mesmo à custa de inocentes.
domingo, 3 de julho de 2011
Não é por aí.
Tentando olhar com simpatia as políticas do novo governo acaba-se sempre com um amargo.Não é por aí. O aumento de impostos não serve para nada, apenas para alimentar o Estado.Só teria eventual sentido se fosse um acompanhado por um rápido abanão da economia, entregando-a à concorrência real e desregulando-a. O peso do Estado "chato" com leis, regulamentos que ninguém consegue cumprir é enorme.
Nos Impostos a tragédia foi tornar a máquina fiscal eficiente. Tornou-se eficiente para aplicar uma lei iníqua, injusta e inaplicável. Fez mais mal que bem.
Como será uma tragédia se os tribunais começarem a "funcionar"( o que quer que isso seja). Funcionarão para aplicar leis mal pensadas e ignorantes. Como dizia Cálicles , o direito é a defesa dos fracos contra os fortes. "Agilizando" o Direito , os fortes exterminarão os fracos. Há que pensar nestes assuntos e largar os estribilhos do costume. Assim, como a permanência no Euro é outro erro trágico.
Por tudo isto, o caminho não será por aí.
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