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quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

Ultimato alemão.

Quando em 1890 os ingleses fizeram o ultimato a Portugal levantou-se a nação em fúria. E bem! Hoje a Alemanha faz um ultimato muito pior e ninguém se levanta. Somos cordeiros ou parvos?
Quem ler o livro ( este é um mero exemplo) Hitler´s Table Talk vê claramente que a Alemanha sempre prosseguiu a hegemonia europeia através da coordenação ( um termo bem caro aos Nazis) económica. Obviamente que os alemães actuais não são nazis, mas há constantes estruturais que não mudam e o domínio continental europeu por parte da Alemanha é uma dessas constantes.
Os alemães unificaram-se, incorreram em déficits excessivos, prejudicaram o resto da Europa e nós esperamos que eles se recompusessem. Mas, não para virem com novos diktats. Portugal não é a Checoslováquia ( embora neste momento pareça pior).

Aviso.

Não tem grande sentido este veto de Cavaco. É exactamente aquilo que parece. Um aviso à navegação. Está lançada a primeira bóia de sinalização. Mas , dá outro sinal. A política sobrepõe-se à economia ou economias.

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

Comunicações.

O PSD continua sem se preparar para assumir o poder, repetindo o erro do passado próximo. Que ideias defende? Que projecto tem? Não se sabe. O que se sabe foi um conjunto de nomes e de ideias vagas acerca de ministérios que apareceram no passado Expresso. Alguma agência de comunicação trabalhou e apareceu aquela coisa desgarrada. Continua a pensar-se que a comunicação é tudo. Não é. Pode ajudar, mas no fim é sempre a substância.
A mesma comunicação anda a promover um candidato do Sporting. Desconhecido ( o que não é pecado) ligado aos angolanos ( o que é suspeito. Angola tem uma estratégia para Portugal. Predadora. Ninguém quer ver isso, preferem impressionar-se com os putativos milhões que aí chegarão). Este candidato do Sporting anda numa promoção imensa. Nuvens de fumo e inssinuações elogiosas. Coisas concretas? Nada, para variar.
Não se deve matar o mensageiro, mas não se deve confiar nele e sobretudo pensar que o meio é a mensagem.

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

Rubber Stamping

Rubber Stamping é a especialidade do "super- juiz". Para que é que existe o Tribunal Central de Instrução Criminal? Para nada.

ADENDA: Eu li o livro de Eva Joly ( há muitos anos). Carlos Alexandre não é Eva Joly.

Democracia e Legitimidade

O resultado principal destas eleições não é a eleição de Cavaco Silva,é a doença clara do regime manifestada em 60% de abstenções, votos nulos e brancos. Cavaco Silva foi eleito com 23% dos votos! Ninguém lhe retira a legitimidade formal e o direito a ser empossado como Presidente da República, mas percebe-se claramente que não encanta,como o actual regime não encanta.
A democracia é , em primeiro lugar um método de escolha de quem nos governa. Mas também um sistema de respeito de direitos fundamentais e necessita de um constante convencimento dos governados. Não basta uma eleição. Hoje o processo democrático reflecte uma interacção entre eleitos e eleitores. Os eleitos têm o dever de ir convencendo os eleitores da bondade das suas políticas. Ora é esse vínculo que se está a cortar. Na realidade poucos confiam em Cavaco, poucos querem este presidente ( obviamente, ainda menos querem outro presidente). O regime mostrou a falência neste acto. É sobre isto que tem que se reflectir. A história desta eleição pode ser a história do início do fim deste regime democrático.

quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

Contentamento

Tudo visto e ponderado, parece que todos estão contentes com o estado actual de coisas. Há uns tempos reconduziram José Sócrates. Agora, preparam-se para reconduzir massivamente Cavaco Silva.Portanto, no fim, só nos podemos queixar de nós próprios e das escolhas que fazemos.Aliás, a campanha de Cavaco Silva tem sido a mais interessante, pela opereta montada. Parece que até agora nada fez na vida política portuguesa. Não tem nada a ver com nada e nós temos que confiar nele para salvar a Pátria. As sujices das Coelhas e do BPN podem não ser relevantes. Sabemos bem como se monta uma campanha suja nos "media", com meias verdades, insinuações e muitas mentiras. Mas, verdade é que o senhor foi Presidente nos últimos 5 anos e primeiro - ministro há uns tempinhos, durante 10 anos e tem uma profunda responsabilidade política pelas escolhas políticas erradas.
O certo é que as massas estão contentes e vão com ele. Quem somos nós?

Epítome 2

O actual modelo económico: uma moeda relativamente forte, uma economia real virada para os serviços e obras públicas ( desconsiderando a agricultura, pescas e indústiras), um Estado Social generoso, uma função pública volumosa e bem paga, foi definido nos 10 anos de Cavaco Silva como primeiro-ministro.

segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

Epítome 1

José Sócrates conduziu Portugal à falência. Cavaco Silva deixou que José Sócrates conduzisse Portugal à falencia.

terça-feira, 11 de janeiro de 2011

A questão europeia.

A questão europeia.

A questão europeia não é a fraqueza de Portugal, Grécia ou Irlanda, é a força da Alemanha.
Já, no século XVII, Richelieu, o cardeal católico francês, apoiava – pagando e alimentando – os exércitos protestantes da Alemanha que combateriam os católicos alemães, para a manter fraca. A política externa europeia, durante séculos, teve como uma das suas constantes a manutenção de uma Alemanha dividida, porque sempre se soube que uma vez unida era demasiado grande e poderosa para os restantes reinos europeus.
Não é por acaso que Bismarck teve que vencer os franceses em Sédan para unificar a Alemanha. Também não é por acaso que 40 e poucos anos após essa unificação os exércitos alemães invadiam de novo a França e derrotados (mais ou menos) em 1918, estavam de novo em 1940 a invadir a mesma França, com um sucesso retumbante. A Alemanha forte e unida é sempre um problema para a Europa. Há quase uma causa efeito histórica, já abordada claramente por A.J.P.Taylor no seu controverso livro “ The Origins of Second Worl War” em que coloca Hitler como um seguidor de uma certa tradição germânica que a quer tornar a principal potência europeia. Isto quer dizer que determinadas circunstâncias objectivas tornam a Alemanha um perigo para o resto da Europa. Essas circunstâncias são fáceis de ver : um país enorme no centro da Europa, com uma população superior, uma economia dinâmica e um povo trabalhador e industrioso. Só com muitos laços atados, como foi feito após a Segunda Guerra Mundial, especialmente através da criação da CEE ( Comunidade Económica Europeia) , se consegue controlar a pulsão alemã.
Aliás o desenho básico da CEE é americano e inspirado pelos Americanos para garantir ao mesmo tempo uma Alemanha forte, que fizesse face ao expansionismo soviético, mas i nofensiva para os Aliados( França e Inglaterra).
É fácil de ver que num movimento que começou com Kohl, mas foi ideologicamente muito acentuado por Schroeder ( talvez por acidente) a Alemanha libertou-se dos espartilhos e hoje pontifica, à solta, na Europa. Não se espera uma invasão militar. Mas não haja dúvidas que os diktats económicos serão constantes, e a unificação europeia, será uma unificação alemã.

sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

Economia Política do Euro e Portugal


O euro é, em termos económicos, uma aberração para Portugal que só se justifica por motivos políticos. Vejamos porquê.
A instituição do euro implicou a substituição das moedas nacionais por uma moeda única e (este aspecto talvez acabe por ser mais importante) a mudança da responsabilidade da condução da política monetária dos bancos centrais nacionais para o banco central europeu.
Em termos práticos, e utilizando um exemplo que será seguido neste escrito (embora outros sejam possíveis), a Alemanha e Portugal passaram a ter a mesma moeda e a mesma política monetária. Não existe uma racionalidade económica para tal acontecimento. São países com uma economia real muito diferente para os quais não há um único motivo que determine que tenham a mesma política monetária. Pode haver situações em que tal seja possível, como podem existir outras em que tal não seja. É uma questão de sorte. Se a dada altura a Alemanha e Portugal estiverem ambos numa situação de desemprego elevado, justificar-se-ia uma política monetária relaxada para estimular o emprego. Mas, se a Alemanha estiver numa situação de pleno emprego com pressões inflacionistas e Portugal numa situação de desemprego, então cada um dos países pede uma política monetária oposta. Mas, o problema é que só podem seguir uma! E certamente será a que mais convém à Alemanha.
Assim, se vê que a perda da soberania monetária é muito perigosa e que pode, pura e simplesmente, acentuar as crises e aumentar o desemprego. Foi pois uma motivação política e não económica que levou ao euro. A necessidade de criar uma Europa Federal cujo motor é a Alemanha e em que a França aspira à igualdade, sendo os outros satélites desta ordem.
Poder-se-ia contra-argumentar dizendo que os países não perderam a sua soberania fiscal. Podem sempre através do orçamento atenuar efeitos de políticas monetárias adversas. O problema é que países com finanças públicas débeis como Portugal entraram no euro por um triz, cumprindo os chamados critérios de Maastricht sem grande margem e por isso mesmo sem amplitude de manobra orçamental. Se pensarmos, desde 2002 que a política económica dos governos portugueses foi só uma : equilibrar o orçamento (melhor dizendo reduzir o deficit), lançando a economia numa estagnação quase secular. Resumindo, Portugal (e outros países) além de terem perdido a condução da sua política monetária perderam também a liberdade orçamental. Não dispõem de instrumentos de política económica e por não terem economias suficientemente flexíveis estão condenados à estagnação, se não puderem fazer nada.
Obviamente que tal poderia ter sido colmatado através da previsão de transferências fiscais dos países mais fortes para os mais fracos em caso de necessidade. Faz parte da boa teoria das zonas monetárias óptimas a compensação da inflexibilidade monetária com a possibilidade de transferências fiscais flexibilizadoras. Aliás tal aconteceu na união monetária que se seguiu à reunificação alemã. Facilmente poderia ter sido previsto para a união monetária europeia um mecanismo de transferências fiscais. Não foi!
Assim, como está, é tudo uma confusão, pelo menos para países que não se podem impor como Portugal. Sumariando, o euro retirou toda a soberania económica a Portugal. Isto não é retórica nacionalista. É um facto que não possuímos armas para fazer face a ataques e desastres económicos. Os problemas do desemprego e da crise tenderão a agravar-se nesta situação.
Portugal não tem qualquer possibilidade de perder a sua autonomia de política económica. Essa perda não lhe trás benefícios económicos. Traria benefícios políticos se quisesse participar numa verdadeira Federação Europeia. É isso que quer? Se não é, não vale a pena fazer sacrifícios e prejudicar a nossa economia. Deve-se sair rapidamente do euro, um colete-de-forças a que não sobreviveremos.